domingo, 27 de maio de 2012

Inovação – um título para qualquer ação!


Recentemente foi publicada uma matéria no jornal Valor Econômico, reproduzida do New York Times. A matéria destaca a banalização do termo inovação. Todas as empresas são inovadoras, inovação é qualquer coisa e não importa a situação, tipo de negócio, como é feito e acontece. Tudo e qualquer coisa é inovação.

Na matéria Clayton Christensen, sem dúvida o mais difundido autor no tema e autor do livro Innovators DNA que será lançado em breve pela HSM Editora, comenta:

"A maioria das empresas diz que é inovadora na esperança de levar o investidor a crer que há crescimento onde não há".

A tabela abaixo resume alguns números que ressaltam como o tema está em voga e com o risco de ser banalizado como um modismo.

Citação do termo inovação nos relatórios de empresas.
Fonte: SEC/USA
33358 vezes
Aumento de 5x em relação a 2006.
Uso da palavra por empresas nos relatórios anuais
Apple
Google
Procter & Gamble
Scotts Miracle
Campbell Soups
22 vezes
14 vezes
22 vezes
21 vezes
14 vezes
Pesquisa na Amazon.com
250 livros de inovação
Lançados nos últimos 3 mees
Áreas de diretorias de inovação
4 em cada 10 empresas
Menção pelos executivos
Fonte: Capgemini




Segundo a matéria, o primeiro registro da palavra inovação, vem de um documento do século XV e está relacionado a renovação e mudança. Mas a divulgação mais extensiva do termo, acontece em consequência dos trabalhos de Utterback e de Christensen.

Para Christensen, há três tipos de inovação: a inovação na eficiência, pela qual o      mesmo produto é feito a um custo menor, como a automatização da consulta ao cadastro de crédito de alguém; a inovação sustentadora, que converte um produto já bom em algo ainda melhor, como o carro híbrido; e a inovação de ruptura, que transforma coisas caras e complexas em algo simples e mais acessível, como a migração do mainframe para o microcomputador.

Para a empresa, o maior potencial de crescimento reside na inovação de ruptura, diz. Christensen observa que as demais modalidades poderiam muito bem ser chamadas de progresso comum — e normalmente não criam mais empregos nem negócios.

Como a inovação de ruptura pode levar de cinco a oito anos para dar frutos, diz ele, muita empresa perde a paciência.

Para a empresa é bem mais fácil, acrescenta o autor, apenas dizer que está inovando. "Todo mundo está inovando, pois qualquer mudança virou inovação".

A HSM há muitos anos realiza seu fórum de inovação e, neste ano traz um novo evento, o fórum de Novas Fronteiras da Gestão a ser realizado em agosto de 2012 (http://eventos.hsm.com.br/foruns/forum-hsm/novas-fronteiras-da-gestao-2012/). Neste fórum vai discutir o futuro, sobretudo a influência da tecnologia, nos negócios. Também, na HSM Educação, temos o curso de inovação estratégica, coordenado por Solange Mata Machado e material exclusivo de Vijay Govindarajan, com a segunda turma iniciando em São Paulo (http://www.hsmeducacao.com.br/Cursos/EDP-HSM/EDP-HSM-em-Inovacao-Estrategica/8). Neste ano, como foi dito, a HSM Editora lança o livro O DNA dos Inovadores, no qual Christensen é co-autor (http://hsmeditora.com.br/clayton-m-christensen/?autor).
                                          Vijay Govindarajan e professores da HSM Educação
dna edit
Clayton Christensen com Solange Mata Machado,
coordenadora do EDP em Inovação Estratégica da HSM Educação.

Estes fatos mostram a importância da inovação para a HSM e como é importante não deixar que o termo se banalize. Inovação, como foi mencionada na raiz da palavra está sem dúvida relacionada com renovação e mudança. Está sem dúvida, no nível mais amplo da empresa relacionado com estratégia.

O que está claro é que desde que o termo passou a dominar o discurso das empresas, ele deixou de ser um termo de tecnologia ou de produto, para virar um termo relacionado ao projeto e muitas vezes à orientação do negócio como um todo.

Inovação para a HSM está relacionado à estratégia, pois a vantagem competitiva de uma organização não pode ser mais garantida somente com produtos e mercados.

Inovação é inventar novos processos de negócios, transformar a essência de organizações e criar mercados totalmente novos que atendam as necessidades não satisfeitas de consumidores.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Inovação e Estratégia - desafios

Hoje tivemos mais um dia de evento da HSM. Logo a seguir me reuni com um grupo de uma grande empresa brasileira para falarmos sobre inovação e estratégia. Eles haviam assistido em vídeo conferência a palestra do VG, como chamamos carinhosamente ao Vijay Govindarajan. Assisti a primeira parte com nossos professores e fiz um fechamento com a turma da empresa. VG coloca inovação e estratégia como sinônimos. Mais que discutir o que são ou não, quero debater o desafio estratégico das empresas. VG fala do Box 1, Box 2 e Box 3 innovation. Na verdade ele discute a necessidade de praticarmos hoje a construção da empresa de amanhã. Na verdade o conceito apresentado pelo VG segue a idéia de foco em next practices e não nas best practices defendida por CK Prahalad. A idéia, mais que interessante, reflete o conceito do que é estratégia e que talvez as empresas, pela pressão de curto prazo e pela busca da eficiência, tenham se esquecido. Ao longo dos anos as empresas, pelos compromissos com acionistas, pricipalmente as de capital aberto, pelos modismos de gestão e pela pressão do crescimento, têm confundido o uso de best practices na busca pela eficiência, com estratégia. É claro que as empresas são diferentes, mas imaginem que, no limite, empresas de mesma característica ficam iguais. Isto não é estratégia! A estratégia vem da diferença. Vem da capacidade das empresas em adaptarem-se, em compreenderem que precisam compatibilizar a construção de um futuro a partir do hoje. Precisam compreender o que a faz diferentes. Precisam entender e não se fixare, somente em produtos e mercados, pois já não garantem sustentabilidade no longo prazo. Este é só um ponto e não um ponto final de uma conversa que só começou.

domingo, 6 de maio de 2012

Conversando sobre Carreira com Derek Abell

Você tem três filhas, e se quando elas estivessem na idade de começar a trabalhar, escolher uma carreira e tentando crescer. Se uma das suas filhas fosse uma jovem executiva, que tipo de conselho você daria a ela? Que caminho lhe diria para seguir, que conselhos ou dicas lhe daria?
Essa é uma pergunta maravilhosa. Muitos colegas meus, que são pais, me perguntam o que fazer, em nome de seus filhos e filhas.Alguns não querem nem ir à escola, muito menos escolher uma carreira.
Uma coisa que eu reparei é que as pessoas que se apoiam em duas pernas são mais estáveis do que as pessoas que se apoiam em uma. Então, é ótimo estudar qualquer coisa, mas se essa for a única coisa que você sabe, não é ótimo.
Pode ser arquitetura, ou engenharia, mas as pessoas que parecem estar bem no mundo, são aquelas que têm bases amplas. Eles podem ser engenheiros, mas também estudaram um pouco de administração, eles podem ser arquitetos, mas entenderam coisas sobre o mercado imobiliário, ou sobre liderança.
Eu penso que estamos em um mundo em que a especialização está crescendo, e muitos jovens estão presos em caixas cada vez mais estreitas, por sua educação. E subitamente eles se vêem em um mundo aonde precisam saber de muitas coisas E os pais podem ser de grande ajuda, guiando os filhos para que vejam o mundo de maneira ampla.
Sempre dou um conselho, se você estiver em uma cidade, leve seus equipamentos de corrida e explore o local, ou explore de taxi, para ver mais. Vá a museus de arte, isso é sempre bom, veja o que está acontecendo. Só de estar em outros locais do mundo já é maravilhoso, acho que não existe nada melhor para um jovem do que conhecer outros lugares do mundo, ser humilde o suficiente para entender as diferenças de local para local.
Eu sou a favor do intercâmbio de jovens, isso muda a sua vida. Se eles forem com 17 ou 18 anos. Duas das minhas filhas trabalharam e estudaram na Índia por um período, e lhes fez muito bem entender que nem tudo no mundo é alemão ou francês ou inglês, que existia outra parte no mundo. E pessoalmente, toda vez que eu vou a um país pela primeira vez, um país que eu não sabia muito sobre, eu sempre volto para casa mais humilde do que eu saí, pensando: que lugar interessante, e eu nem sabia que isto estava acontecendo.
Eu acho que isso é uma coisa maravilhosa para jovens, e não se trata da linguagem, de aprender alemão, francês, espanhol ou português, mas o que você realmente deve aprender é o que está por trás dessas linguagens, a cultura por trás delas. E isso é muito bom, eu aconselharia os jovens a manter seus pés em diferentes locais, mas mesmo assim, serem especialistas em algo. Não basta só ser um pouco bom em varias coisas, você precisa desenvolver habilidades especificas, mas não se manter sempre em uma perna só, de repente o mundo muda e você perde o prumo.
Você precisa ser como um tripé, você precisa estar estável, e isso significa viajar, aprender e humildade, acima de tudo.


E como fazer a diferença na sua carreira executiva? Se você é um jovem executivo e quer crescer, por exemplo.
Não existe uma receita para subir em uma organização, sabemos disso. Nem todos precisam de MBA, por exemplo. Tudo depende da empresa em que você está inserido, do que você faz. Acho que o principal é ser muito cuidadoso com seu chefe.
Eu não aconselharia ninguém a ir para uma entrevista de trabalho em que está desconfortável com o chefe. Eu diria que toda pessoa que vai fazer uma entrevista de emprego deve conhecer o chefe antes de aceitar o emprego. Bons chefes podem fazer uma pessoa florescer, se abrir. E maus chefes podem fechar as pessoas para sempre.
Alguém me contou outro dia sobre o filho que estava na escola, tinha que fazer algum tipo de conta, e a professora disse: Seu idiota, você nunca fará nada de bom no mundo, você é muito burro. E essa criança ficou muito machucada com isso, os professores devem elevar as pessoas, não botá-las para baixo. E os chefes devem fazer o mesmo, então se você trabalha para um chefe que está sempre ocupado lhe dizendo que você é um idiota, você nunca ascenderá.
Então uma das coisas que eu digo a pessoas jovens é: quando você for para uma entrevista, você também estará lhes entrevistando. Você não precisa ficar fazendo perguntas, mas você saberá logo se esta é uma pessoa que lhe ajudará ou se ela irá te espremer.
E não trabalhe com pessoas assim, pode ser um emprego, mas não será um emprego que te levará a algum lugar. Eu penso que ter um bom chefe é muito importante, e a cultura da empresa está por trás disso, vá trabalhar com uma empresa que está ajudando seus funcionários a se desenvolverem.
Vá a uma indústria em crescimento e aonde existam oportunidades, não se coloque em becos sem saída, é isso.


Sobre Derek Abell:

International Dean da HSM Educação. Professor e Associate Dean de Harvard Business School entre 1969 e 1981. Dean do IMEDE por 8 anos, instituição predecessora do IMD (Lausanne). Presidente-fundador do ESMT - European School of Management (Berlin). Doutor honorário pela State University of Management de Moscow pelo seu comprometimento em estabelecer e desenvolver escolas de negócios no Leste Europeu. Consultor da ONU, países da Europa e de empresas globais. Conselheiro do Central and East European Management Development Association (CEEMAN) e do European Foundation for Management Development (EFMD). Um dos precursores da "Estratégia Corporativa" e autor de algumas das principais obras no gênero como Defining the Business: The Starting Point Of Strategic Planning. Mestre pelo MIT e Doutor pela Harvard Business School.