domingo, 28 de outubro de 2012

Estratégia e Execução - Parte 1

Recentemente, na HSM Educação, fizemos uma pesquisa com CEOs para compreender os principais desafios organizacionais e os temas que poderiam ser importantes para preparação de executivos. Dentre os temas que se destacaram a Inovação da Estratégia e a Execução se destacaram.

Apesar da importância que os executivos dão para a inovação e renovação de sua estratégia e ao tema de execução, a minha obsrevação nas organizações é que existe uma intenção que é subjugada pelos interesses de curto-prazo, e pelos interesses e relações de poder. Assim, em posts sucessivos pretendo abordar o tópico de execução sob diversas lentes.

Começando pela relação da execução com a estratégia, um pressuposto é ter uma estratégia adequada. Uma estratégia adequada pressupõe coerência, clareza e uma relação equilibrada entre o presente e o futuro. Para isto a estratégia precisa ser comunicada e lembrada, de uma forma pelos funcionários e de outra pelos clientes e stakeholders. O valor único a ser proporcionado vai ser mais facilmente percebido.

Para ser percebido a estratégia precisa ser compreendida por todos, por cada um em função de sua relação com a organização. Para ser compreendida a estratégia deve ser simples. Vale lembrar que simples não quer dizer sem valor. Uma estratégia simples, que gera valor, deve também ser difícil ou até impossível de copiar e de ser reproduzida pelos competidores.

Uma estratégia complicada, somente técnica, sem a possibilidade de se disseminar e de ser compreendida pelos níveis mais baixos hierarquicamente, que são aqueles com contato direto com produtos e clientes, não vai ser executada. Jorge Paulo Lemann, nosso grande empresário do Banco Garaintia à ABInBev, diz que costumava ir a apresentações de estratégias e que elas eram complexas e com objetivos demais. Reforçava que objetivos demais não seriam executados.

A relação da estratégia com a execução passa por um ciclo de formulação, execução e adaptação. Se for complicada não vai acontecer. Por exemplo, meu amigo Derek Abell comenta sempre o caso de um presidente da Nestlé que ao tomar posse passou a receber relatórios de centenas de páginas que apresentavam a estratégia das diversas unidades de negócio da empresa. Relatórios elaborados por setores responsáveis especificamente para isto, que foram criticados por Mintzberg no seu Ascenção e Queda do Planejamento Estratégico. Este executivo parou de receber este material e passou a fazer um alinhamento de posicionamento e clareza de objetivos pessoalmente com cada um de seus gestores, para então desdobrarem em suas estratégias de unidades de negócio. Os resultados obtidos passaram a ser muito melhores.

A estratégia está relacionada com a forma pela qual as empresas podem criar, capturar ou sustentar valor econômico. Este valor exonômico passa por, como disse Porter, aumentar a lacuna entre o que os cliente querem pagar e o custo para faze-lo. Assim, a estratégia tem que deixar claro o valor, os desafios e as ações que são prioritárias. As poucas ações que são prioritárias.

A estratégia precisa ajudar à execução, pois como Kaplan e Norton colocaram no passado, cerca de 3/4 das iniviativas estratégicas não são atingidas. Aliás, isto, de certa forma, justifica o sucesso de ferramentas como o BSc (Kaplan e Norton) e da Gestão de Projetos.

Na sequência deste post vamos debater quais são os elementos de uma estratégia para que possa ser clara e executável.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

DNA do Inovador - Livro Premiado

Foi com grata surprêsa que recebemos a notícia que o livro o DNA do Inovador, que está sendo lançado agora pela Editora HSM foi premiado como livro do ano. Veja no link: http://harvardbusinesspublishing.org/newsroom/news-release-‘the-innovator’s-dna’-is-named-as-the-best-book-on-innovation-and-entrepreneurship-of-the-year-at-cmi-awards


Por este motivo resolvi apresentar novamente um post que fiz há algum tempo atrás, sobre a banalização da palavra Inovação.



Recentemente foi publicada uma matéria no jornal Valor Econômico, reproduzida do New York Times. A matéria destaca a banalização do termo inovação. Todas as empresas são inovadoras, inovação é qualquer coisa e não importa a situação, tipo de negócio, como é feito e acontece. Tudo e qualquer coisa é inovação.

Na matéria Clayton Christensen, sem dúvida o mais difundido autor no tema e autor do livro Innovators DNA que será lançado em breve pela HSM Editora, comenta:

"A maioria das empresas diz que é inovadora na esperança de levar o investidor a crer que há crescimentoonde não há".

A tabela abaixo resume alguns números que ressaltam como o tema está em voga e com o risco de ser banalizado como um modismo.

Citação do termo inovação nos relatórios de empresas.
Fonte: SEC/USA
33358 vezes
Aumento de 5x em relação a 2006.
Uso da palavra por empresas nos relatórios anuais
Apple
Google
Procter & Gamble
Scotts Miracle
Campbell Soups
22 vezes
14 vezes
22 vezes
21 vezes
14 vezes
Pesquisa na Amazon.com
250 livros de inovação
Lançados nos últimos 3 mees
Áreas de diretorias de inovação
4 em cada 10 empresas
Menção pelos executivos
Fonte: Capgemini




Segundo a matéria, o primeiro registro da palavra inovação, vem de um documento do século XV e está relacionado a renovação e mudança. Mas a divulgação mais extensiva do termo, acontece em consequência dos trabalhos de Utterback e de Christensen.

Para Christensen, há três tipos de inovação: a inovação na eficiência, pela qual o mesmo produto é feito a um custo menor, como a automatização da consulta ao cadastro de crédito de alguém; a inovação sustentadora, que converte um produto já bom em algo ainda melhor, como o carro híbrido; e a inovação de ruptura, que transforma coisas caras e complexas em algo simples e mais acessível, como a migração do mainframe para o microcomputador.

Para a empresa, o maior potencial de crescimento reside na inovação de ruptura, diz. Christensen observa que as demais modalidades poderiam muito bem ser chamadas de progresso comum — e normalmente não criam mais empregos nem negócios.

Como a inovação de ruptura pode levar de cinco a oito anos para dar frutos, diz ele, muita empresa perde a paciência.

Para a empresa é bem mais fácil, acrescenta o autor, apenas dizer que está inovando. "Todo mundo está inovando, pois qualquer mudança virou inovação".

A HSM há muitos anos realiza seu fórum de inovação e, neste ano traz um novo evento, o fórum de Novas Fronteiras da Gestão a ser realizado em agosto de 2012 (http://eventos.hsm.com.br/foruns/forum-hsm/novas-fronteiras-da-gestao-2012/). Neste fórum vai discutir o futuro, sobretudo a influência da tecnologia, nos negócios. Também, na HSM Educação, temos o curso de inovação estratégica, coordenado por Solange Mata Machado e material exclusivo de Vijay Govindarajan, com a segunda turma iniciando em São Paulo (http://www.hsmeducacao.com.br/Cursos/EDP-HSM/EDP-HSM-em-Inovacao-Estrategica/8). Neste ano, como foi dito, a HSM Editora lança o livro O DNA dos Inovadores, no qual Christensen é co-autor (http://hsmeditora.com.br/clayton-m-christensen/?autor).
Vijay Govindarajan e professores da HSM Educação
dna edit
Clayton Christensen com Solange Mata Machado,
coordenadora do EDP em Inovação Estratégica da HSM Educação.

Estes fatos mostram a importância da inovação para a HSM e como é importante não deixar que o termo se banalize. Inovação, como foi mencionada na raiz da palavra está sem dúvida relacionada com renovação e mudança. Está sem dúvida, no nível mais amplo da empresa relacionado com estratégia.

O que está claro é que desde que o termo passou a dominar o discurso das empresas, ele deixou de ser um termo de tecnologia ou de produto, para virar um termo relacionado ao projeto e muitas vezes à orientação do negócio como um todo.

Inovação para a HSM está relacionado à estratégia, pois a vantagem competitiva de uma organização não pode ser mais garantida somente com produtos e mercados.

Inovação é inventar novos processos de negócios, transformar a essência de organizações e criar mercados totalmente novos que atendam as necessidades não satisfeitas de consumidores.